Toda vez que estou quase chegando, é aquela sensação de tranqüilidade. Quando está na hora de ir embora, sessão nostalgia, um turbilhão de sentimentos. Por instantes aquele ódio todo some e dá espaço para sentir novamente o gosto daqueles momentos...Que se passou onde mesmo? Sim, naquela cidade que me deixa tão irritada quando alguém ousa achar que nasci lá. Sei que se não fosse lá, seria em algum outro lugar, por que de alguma forma essa fase da minha vida teria que ser vivida... mas sim, foi lá.
Cidadezinha que já nos fez começar errando : o caminho. Mas que até mesmo o vigia da agência estava a nossa espera.
Colégio que muito embora os guris ainda escondessem os estojos, em pleno 2º grau, me deu uma louca como eu e ainda de nome parecido com o meu. Casa que me permitiu ter dois quartos, e que me viu o máximo de tempo trancada entre 4 paredes pela infelicidade de estar naquele lugar.
Cidade que me viu desejar muito ter alguém. Conquistar esse alguém, amar e ser amada por ele. Deixar ‘aflorar’ a minha ‘veia miss’ e ter aquela tal faixa... Lugarzinho onde eu comecei a ter as minhas vontades próprias, meu primeiro salário. As ruas onde eu fui apresentada para uma espécie verde, gosmenta, nojenta, na qual era preciso desviar, ao sair na rua. Onde eu deixei o meu ‘urbanismo’ de lado e expandi meus conhecimentos, ampliando meu vocabulário, momentos esses, aos quais devo a minha familiarização com palavras tipo, a tal pinguela. Lugar que por 3 anos consecutivos eu fui a voz da minha turma e vice-presidente de um Grêmio Estudantil. Nas festas onde eu fiquei ‘tontinha’ pela primeira vez, onde eu tive a experiência única de ser madrinha, de uma pequena, a minha pequena, com nome de flor, a minha florzinha. A primeira praia ‘só de mulheres’, sim, com as gurias de lá..
A minha entrevista em uma rádio? Lá também.
Minha primeira aprovação no vestibular? De lá que eu estava ouvindo.
Lugar também, que mais me faz chorar de saudade das coisas que já passaram e não voltam mais.
Última casa que eu vi a Schana correr no pátio, e que me deu a Valentina.
Lugar que tive a honra de conhecer pessoas como o Tio Itamar, Batata, Rafa Vieira e que graças a sua existência na minha vida, vai me apresentar o nenê da Mari.
O meu primeiro voto, ou melhor, o lugar ao qual eu vou voltar todo ano de eleições, lá no colégio que me recebeu de braços abertos...
Pessoas maravilhosas, as quais, sempre que algo dá certo ou errado, é para elas que eu corro..
Falar mal? Eu falo! Eu posso.. Mas que ninguém ouse fazer o mesmo.
A questão toda é que, ao final de tudo isso, acho que aquele ódio todo já passou... e na verdade nunca foi ódio, e sim uma turbulência de sensações que ainda não entendo muito bem..
Eu sei que, adoro voltar! (para visitar..)
Esse lugarzinho é o que me transporta para uma das fases que começou a fazer da Natália, gente! Que me apresentou grande parte das pessoas mais importantes da minha vida!
Cada vez que o rancor das lembranças ruins voltarem, acho que volto aqui, e releio tudo isso.. e se estiver por lá.. Faço o trajeto do colégio para casa... de casa para o mercado, ou até mesmo ficar sentada na frente do colégio, 11 horas e 55 minutos, e ver aqueles três pares de melissa, no mesmo modelo, cada um na sua cor... dois pares indo pela rua da frente e o cor-de-rosa na companhia de um reef, indo pela rua de trás ...
Acho que passou.. e já estaria preparada para umas férias por lá. Até mesmo por que, da história, ficaram as lembranças... mas os ‘personagens’ vivem aqui no meu presente. A saudade deles aumenta, a cada dia que passa, e como me faz feliz reencontrar cada um, e ouvir que também faço falta.
.natália